MUNDURUKUS, OS ESPARTANOS DA AMAZÔNIA - INDÍGENAS GUERREIROS FORAM OS MAIS TEMIDOS DA AMAZÔNIA COLONIAL

Na imagem maior, à esquerda, se tem um Munduruku com seu troféu, a cabeça de um indígena (provavelmente um Mura) espetada na ponta de sua lança; na ilustração menor acima à esquerda, um semblante de um guerreiro Munduruku com suas tatuagens/pinturas tribais de guerra; e na ilustração abaixo, um confronto entre um indígena Mura e um Munduruku. 




Nenhuma etnia indígena foi mais guerreira e temida na época colonial na Amazônia do que os Mundurukus, isto devido sua índole guerreira e valentia e de seu bem organizado e poderoso exército, cujas impressões foram bem documentadas por autoridades, militares, religiosos e viajantes daquela época, inclusive ficaram conhecidos como os espartanos da Amazônia, em comparação aos guerreiros da cidade de Esparta, na Grécia antiga, cujo seu exército ficou conhecido como um dos melhores que surgiu na face da terra.

Os Mundurukus ficaram também conhecidos como "cortadores de cabeças" e seu armamento se constituía de lanças, arco e flecha, zarabatanas, facas de bambu e bordunas.

 

ORIGEM DOS MUNDURUKUS E SUA ORGANIZAÇÃO SOCIAL

Os Mundurukus se originaram na região do Alto Rio Tapajós, atual Estado do Pará, onde ali possuíam centenas de tribos distribuídas por aquele território. Cada tribo era autônoma, possuindo seu próprio tuxaua sendo a guerra um ofício bem entranhado na cultura desse povo.

Acreditavam na existência de um Deus principal, chamado "Karusakaibu”, criador do povo Munduruku, que lhes ensinou a caça e a agricultura e que queimaria os homens com fogo no fim do mundo.

O nome da etnia foi dado por seus rivais Parintintins que, traduzido, quer dizer "formigas vermelhas”, em alusão ao exército Munduruku que, quando entrava em ação atacavam em grande quantidade ao mesmo tempo, assim como as formigas.

Os Mundurukus eram altos, de pele clara, musculosos, eito largo, cabelos lisos pretos e cortados na testa.

Na área que eles habitavam, no Tapajós, os Mundurukus guerrearam e possivelmente exterminaram várias etnias que ali viviam passando eles a dominar todo o vale daquele rio, o que fez eles serem temidos por todos os indígenas daquelas paragens e depois pelos colonizadores portugueses. E no caminho que fizeram, quando resolveram sair de sua área de origem, travaram sangrentos combates com indígenas rivais e colonos portugueses, destruindo eles missões religiosas e povoados dos colonos e espalhando o terror por toda a região amazônica.

A primeira menção da existência dos Mundurukus aconteceu em 1768 quando eles são descritos pelo padre José Monteiro Noronha, vigário da Capitania de São José do Rio Negro (atual Estado do Amazonas),que os identificou na zona do rio Madeira, junto com demais povos indígenas.

A EXPANSÃO DO TERRITÓRIO - MUNDURUKUS ANIQUILAM TUDO PELO SEU CAMINHO,SE DIRECIONANDO PARA LESTE E OESTE DA AMAZÔNIA

Durante o período de 1768 a 1788,com um exército bem equipado e organizado, os Mundurukus lançaram-se à expansão de seu território e domínio sobre outros povos indígenas. Saindo do rio Tapajós eles se dirigiram para oeste, na Capitania de São José do Rio Negro( hoje o Estado do Amazonas),onde os Mundurukus chegaram ao rio Madeira e também próximo à Fortaleza de São José da Barra(que deu origem à cidade de Manaus).

Já na parte Leste, alcançaram os rios Xingu e Tocantins, chegando também às proximidades de Belém, a capital do Grão-Pará. Se diz que os Mundurukus teriam alcançado o limite com o Maranhão, só não conseguindo penetrar o território maranhense devido terem perdido um combate com indígenas locais que os expulsaram.

Um fator que muito facilitou a expansão dos Mundurukus, conquistando eles novos territórios, foi que na época os portugueses estavam concentrando seus soldados na perseguição e combates aos Muras e também na tentativa de evitar a incursão dos franceses na região, além disso os portugueses não dispunham mais de religiosos para tentar catequizar os Mundurukus.

Com o caminho aberto, os Mundurukus não viram dificuldades para sua máquina de guerra se expandir com tranquilidade e sem ter piedade da vida de algum inimigo que aparecesse em seu caminho.

Como exemplo um fato que se deu em 1774,quando eles atacaram a Vila de Boim, no Tapajós.

 

A MUNDURUKÂNIA

Durante sua expansão territorial, o exército Munduruku penetrou e estabeleceu sua população numa vasta área compreendida entre os rios Amazonas, Madeira, Juruena e Tapajós, área essa hoje entre os Estados do Amazonas, Pará e Norte do Mato Grosso.

Devido seu predomínio nesta grande área, e seu domínio cultural e bélico sobre os demais indígenas daquela região, essa zona ficou conhecida como "Mundurukânia”, algo traduzido como o “país dos Mundurukus”, que foi mantida por eles pela organização e força militar.

OS MURAS,INIMIGOS MORTAIS DOS MUNDURUKUS

Como nação guerreira, era natural que os Mundurukus tivessem vários inimigos no campo de batalha. Entre eles estavam os Parintintins, os Mawés e os Araras. Mas nenhum foi seu mais ferrenho inimigo como os Muras.

Os Muras habitavam a área do rio Madeira e, assim como os Mundurukus, eram um povo guerreiro especialista em táticas de guerrilha e exímios manejadores do arco e flecha que travava muitos combates com os portugueses, inclusive eles também atacaram vários núcleos dos colonos na Capitania do Rio Negro.

A primeira notícia de um confronto entre Muras e Mundurukus aconteceu em março de 1786,quando os Mundurukus atacaram uma aldeia Mura no lago de Autazes, a destruindo.

Nos anos seguintes as duas valentes etnias guerreiras iam continuar suas batalhas entre si, culminando com a derrota definitiva dos Muras frente aos Mundurukus, cujas contendas entre eles durou até o século XIX.

 

A TATUAGEM CORPORAL MUNDURUKU

Os Mundurukus tinham por tradição tatuar seu corpo (processo que começava quando ainda eram crianças) cuja finalidade era mostrar o brasão de sua nação, seu aspecto de guerreiro e amedrontar o inimigo, pelas linhas escuras que cobria todo o corpo deles, mostrando uma aparência tenebrosa. Eles pintavam metade do rosto em tom negro do qual dali partiam linhas paralelas sobre o queixo, mandíbula e pescoço, até o peitão resto do tronco era riscado com linhas paralelas, sendo a costa também tatuada.

Já as mulheres também tinham pinturas pelo corpo, mas com desenhos diferentes dos homens guerreiros.

 

O EXÉRCITO MUNDURUKU, SUA ORGANIZAÇÃO E O INÍCIO DA PREPARAÇÃO DOS FUTUROS GUERREIROS

A guerra era parte fundamental dos valores da cultura Munduruku e os homens das tribos viviam praticamente para ela.

A preparação para um Munduruku se tornar um guerreiro começava quando ele ainda era um curumim. Nessa idade ele já brincava com as outras crianças de combates com arco e flecha e sua alimentação era racionada pelos mais velhos, visando preparar e acostumar o seu organismo para a dureza das campanhas de combate, assim que estivesse adulto nas fileiras do exército nativo de seu povo. Aos 8 anos ele começava a ter seu corpo tatuado com símbolos guerreiros, tarefa essa feita pelas mulheres mais velhas, sendo um trabalho longo e doloroso que só acabaria quando ele já fosse um rapaz de 20 anos. Dali ele seria aceito entre os guerreiros e se tornaria um "Paikecé”, ou seja, um soldado cortador de cabeça.

Seu compromisso, como guerreiro, era proteger sua nação dos inimigos externos, mas também iniciar e travar combates contra seus rivais para assim cada vez mais ter uma ascensão em sua casta guerreira.

Já como um "Paikecé “o Munduruku aprendia a guerrear nas partes mais inóspitas da floresta amazônica, a usar e confeccionar seus armamentos e ter treinamento de combate com os guerreiros veteranos, usando táticas e estratégias para surpreender e derrotar os inimigos utilizando ele uma alimentação adequada e sua vestimenta de combate, tendo eles um cocar ornado de penas (parecido com uma touca) que era usado na cabeça tanto nos rituais quanto nas guerras.

O objetivo final do "Paikecé“ era adquirir as cabeças do adversário como troféu em sua empreitada bélica.

 

O TROFÉU MAIOR DO GUERREIRO MUNDURUKU: A CABEÇA DO INIMIGO

A cabeça do inimigo, conquistada no combate, era de vital importância para o combatente Munduruku pois se acreditava que quem a possuía teria sorte nas caçadas e também era um símbolo de orgulho, respeito e triunfo do Munduruku em suas guerras. Além disso o guerreiro que conduzia a cabeça alcançava prestígio e glória entre todos de sua tribo e tinha agora autorização do tuxaua para organizar cerimônias referente à aquisição de seu prêmio maior, no caso a cabeça.

Os guerreiros que eram condecorados devido terem adquirido a cabeça como troféu, passavam a ser admirados por todos na aldeia, inclusive pelos mais jovens, que ainda não eram guerreiros, mas sonhavam num dia em se tornar um.

A homenagem aos guerreiros vitoriosos nas batalhas, e com vários deles trazendo a cabeça do inimigo, era feita na grande praça da aldeia com a presença de todos e do tuxaua. Ali uma grande celebração era feita para os novos guerreiros, que recebiam novos nomes e novas mulheres.

A partir dali o guerreiro "Paikecé" adquiria uma ascensão na estrutura social dos Mundurukus, sendo admirado por todos e subindo na hierarquia da tribo.

Já as cabeças eram embalsamadas e mumificadas passando a ser levada pelo guerreiro nas suas caçadas e lutas.

Um dos rituais pela aquisição da cabeça, pelo qual o Munduruku passava, se chamava "Pariuá”, no qual a sociedade tribal reconhecia seu guerreiro, sendo cada um deles se apresentando ao chamado do tuxaua, passando eles a enfiar as cabeças na ponta de suas lanças de guerra.

 

A HIERARQUIA DO COMANDO DAS CASTAS GUERREIRAS DOS MUNDURUKUS

Na organização do exército Munduruku havia a casta mais importante e de mais alto posto na hierarquia do grupo guerreiro: chamava-se "Muchachá Anyen”, que era considerada entre todos os combatentes como a mais respeitada, poderíamos comparar, nos dias de hoje, como uma casta militar formada só por oficiais experientes de alta patente.

Abaixo deles, na hierarquia, vinha uma sociedade de guerreiros chamada "Dareski", uma espécie de casta formada por militares menos graduados.

Porém um "Dareski" poderia subir de posição e ser aceito no "Muchachá Anyen”, se provasse ser um excelente combatente e trouxesse grande número de cabeças.

 

A ORGANIZAÇÃO E SAÍDA DAS EXPEDIÇÕES DE GUERRA DOS MUNDURUKUS - AS ESTRATÉGIAS DE ATAQUE

A preparação para as expedições de guerra tinham início com o fim da terceira estação chuvosa e duravam meses. Os guerreiros Mundurukus eram acompanhados nas campanhas de guerra por suas mulheres que tinham a função de fazer os alimentos, o fogo, transportar as redes e recolher as flechas atiradas pelos inimigos durante os confrontos, entregando as setas para seus guerreiros e os abastecendo para que elas não faltassem durante as refregas.

Dois chefes de prestigiada bravura dirigiam o grupo indígena guerreiro (numa comparação, seriam os atuais oficiais comandantes de um batalhão),mas antes eles eram orientados, aconselhados e discutiam as estratégias para o ataque com os outros chefes e com os mais velhos da aldeia, para que nada desse errado na excursão.

Dois guerreiros experientes, que pertenciam à casta dos "Muchachá Anyen”, acompanhavam a expedição e levavam duas trombetas que eram chamadas de "pem”, que serviam para anunciar o início do ataque. Era a chamada máquina de guerra Munduruku que entraria em ação.

Após caminhada de dias na mata (ou remando nas suas canoas) e localizar a aldeia inimiga, os Mundurukus se aproximavam dela sem fazer barulho, fazendo o cerco e o reconhecimento do local, e ali ficavam escondidos até a madrugada, que era o horário em que o líder do grupo dava o sinal para se tocar as duas trombetas "pem”, anunciando o início do ataque onde primeiramente eles lançavam flechas incendiárias sobre as habitações, seguindo-se a invasão com os Mundurukus dando gritos de guerra. Sendo assim os indígenas atacados, pegos de surpresa dormindo, não tinham tempo de reagir e logo rapidamente a aldeia era toda dominada num ataque relâmpago. No final os Mundurukus incendiavam a aldeia, matando todos os homens e levando suas cabeças que eram cortadas por uma faca de bambu, já as mulheres e crianças eram poupadas, mas eram também levadas pelos Mundurukus que as tomavam como esposas e adotavam as crianças (o rapto de mulheres pelos Mundurukus era um outro motivo deles fazerem suas guerras).

Uma conhecida estratégia de guerra dos Mundurukus consistia em deixar primeiro o inimigo lançar sua flechas durante os combates, quando percebiam que eles não tinham mais munição os Mundurukus entravam em ação e lançavam suas flechas em abundância, derrotando o adversário.

 

MUNDURUKUS X PORTUGUESES

Como era de se esperar, assim que a expansão dos Mundurukus começou eles deram de frente com os portugueses em seus núcleos populacionais, sejam em vilas, feitorias ou missões religiosas. Autoridades e moradores dos povoados e vilas de Borba, Melgaço, Portel, Oeiras, Santarém, Cametá, etc. Pediam providências do governo do Grão-Pará devido às ameaças e invasões dos Mundurukus em seus distritos e nas imediações, provocando mortes e fugas em massa dos moradores. Inclusive os Mundurukus estavam atacando embarcações que traziam produtos extrativistas (as drogas do sertão) para Belém.

Além disso os Mundurukus impediam o avanço de Portugal pela região amazônica, mostrando eles forte resistência ao projeto de dominação luso.

Em 1794 partiu da Vila de Santarém uma tropa comandada por José Antônio Salgado para combater os Mundurukus no Tapajós, onde 3 mil deles resistiram obstinados ao ataque, sem temerem as armas de fogo dos portugueses, mas acabaram derrotados devido à superioridade bélica dos colonizadores.

Em retaliação, os Mundurukus atacaram vários povoados daquela zone entre eles a Vila de Alter do Chão.

 

A PACIFICAÇÃO DOS MUNDURUKUS

Em 1794 o então governador da Capitania de São José do Rio Negro, Manoel da Gama Lobo D'Almada, usou de uma estratégia para atrair e pacificar os Mundurukus na dita Capitania. Quando os Mundurukus eram pegos como prisioneiros, logo eram trazidos para os núcleos populacionais dos portugueses, sendo os indígenas ali bem tratados dos seus ferimentos e recebendo presentes, logo em seguida eles eram soltos para voltarem às suas aldeias.

O plano deu certo e naquele mesmo ano chegavam ao Lugar da Barra (hoje Manaus) um grupo de 35 Mundurukus decididos a tratar um acordo de paz com os portugueses, o que foi feito. Com isso Lobo D'Almada declarava acabado os conflitos entre Mundurukus e portugueses na Capitania do Rio Negro.

A pacificação dos Mundurukus no Grão-Pará seria incentivada a acontecer com a notícia da pacificação dos indígenas guerreiros no Rio Negro. O governador do Grão-Pará, Francisco de Souza Coutinho, preparava um novo ataque da tropa de guerra que estava em Santarém. O ataque estava programado para o dia 15 de janeiro de 1795,com 500 soldados sob o comando novamente de José Antônio Salgado.

Quando a tropa estava próxima de partir, chegou à Santarém um cabo de esquadra vindo da Capitania de São José do Rio Negro, anunciando ali a pacificação dos Mundurukus da região do rio Madeira com as autoridades coloniais do Rio Negro.

Tendo ficado desconfiado com essa notícia no início, logo depois o governador aceitou a pacificação da Capitania do Rio Negro como sendo agora geral, ou seja, valendo para todo o Grão-Pará, afirmado que o tempo de guerra dos portugueses para com os Mundurukus tinha acabado.

Porém os portugueses mantiveram um acordo com os Mundurukus prometendo que dariam certa autonomia a eles. Mesmo após a pacificação os belicosos indígenas continuaram a fazer guerra com os Muras e a decepar cabeças.

Depois os Mundurukus auxiliaram os portugueses como mercenários para aniquilar outros grupos indígenas que resistiam e guerreavam contra os colonizadores, como também passaram a ajudá-los na coleta das "drogas do sertão".

 

ESTOURA A CABANAGEM: MURAS E MUNDURUKUS NOVAMENTE EM LADOS OPOSTOS

Durante a Cabanagem (1835-1840), os Mundurukus foram recrutados pelo governo Imperial do Brasil para lutar a favor da legalidade contra os cabanos, sendo que na área do rio Madeira os Muras foram inseridos nas fileiras cabanas contra as tropas legalistas.

Continuava então o secular conflito entre Mundurukus e Muras nos anos em que a Cabanagem esteve em vigor.

Um bom exemplo de um dos conflitos entre as duas etnias indígenas inimigas na Cabanagem aconteceu em 1839, no Amazonas (na época Comarca do Alto Amazonas), quando um grupo de mais de 200 cabanos liderados pelos indígenas Muras Pantaleão e Manoel Gonçalves Lira atacaram um local do rio Abacaxis matando várias pessoas, entre eles dois tuxauas Mundurukus, seguindo depois os cabanos para o lago de Autazes. Quando souberam do ocorrido os Mundurukus ficaram furiosos e reuniram cerca de 110 deles no mesmo rio Abacaxis, onde dali seguiram armados rumo a Autazes no encalço dos autores dos assassinatos, jurando vingança e dizendo que haveriam de dar fim aos Muras.

 

CONCLUSÃO

A fama dos "espartanos da Amazônia" ficou registrado nos documentos da época. Hoje o nome da guerreira etnia indígena está em duas antigas ruas das duas maiores cidades da Amazônia brasileira: Belém e Manaus.

Tanto no centro histórico belenense como no manauara se tem duas vias batizadas com o nome deles: Rua dos Mundurukus.

Hoje os descendentes dos antigos Mundurukus ainda habitam o mesmo lugar de sua origem e ainda preservam alguns aspectos da cultura de seus ancestrais.


FONTES: Livros "Guerras e Rebeliões indígenas na Amazônia Pombalina" ,de Francisco Jorge dos Santos; "História do Amazonas",de Arthur Reis; "Guerras indígenas na Mundurukânia”, de Max Baraúna.

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